quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

clock.


«A estação encontrava-se deserta, silenciosa, embalada pela suave brisa típica do litoral. Um comboio passou, e sempre que isto sucedia agarravas-me na cintura como se nunca desejasses a minha partida. Tornava-se num acto defensivo, e eu sabia que me protegias. Os beijos voavam ao som dos velozes comboios cujos não paravam ao nosso lado. Pois até estes não queriam que a distância nos levasse. Éramos dois jovens sem noção do tempo e da enfermidade duma paixão remota. Os ponteiros andavam nuns relógios, noutros os dígitos aumentavam o seu valor. E noutros relógios, o tempo repousava. Relógios onde existem também dois ponteiros, o do amor, e o da saudade. Quando o ponteiro das saudades adormece, o tempo acaba. Quando isso acontece, o trabalho do ponteiro do amor é manter a saudade a dormir pois, quando esta acorda, o relógio continua a trabalhar e o tempo a passar.
É o coração. O coração é o relógio que pára o tempo quando a saudade termina e os dois corpos colidem. Agora, aqui sem ti, o tempo continua, e eu só desejo um bilhete para qualquer sitio, para um comboio cujo destino seja longínquo daqui. Necessito duma viagem que me livre das memórias, de ti. Que me devolva a outra metade de mim, a minha liberdade e espírito aberto sem noção das horas, minutos e segundos. Despeço-me de ti amor louco, e se fosses uma história escrita em papel, já o teria rasgado há muito, muito tempo...
»


4 comentários:

Maria Francisca disse...

Isto é a minha Cristiana no Verão. *

Maria Francisca disse...

Nunca! :)
(O - novo - nome do teu blog é lindo.)

Afonso Arribança disse...

Concordo com a Maria Francisca, o nome do blog está fantástico. :D

Adorei o texto, adorei as personificações que fizeste com os ponteiros do relógio e com o coração. Estupendo :)

*

luis nuno barbosa disse...

adorei =)
"Éramos dois jovens sem noção do tempo e da enfermidade duma paixão remota." *.*